Nos últimos anos todos estão percebendo uma mudança na cidade de Santos, onde eu moro. Dezenas de edifícios luxuosos estão sendo construídos, os comerciantes e prestadores de serviços tem aumentado os preços dos seus ítens e serviços, e aos poucos a cidade está tornando-se ‘muito cara para se viver’.
Eu ouço os mais diversos comentários, mas entre eles os mais frequentes são de que isso é um absurdo, afinal “onde já se viu apartamentos que ultrapassam os R$ 4 milhões”, “não sei pra que tanto luxo com tanta gente passando fome”, “isso é um pecado, deus vai castigar todos eles”, “a natureza ainda há de devastar toda a cidade de Santos para que todos aprendam que nada disso tem valor”. Mas o que estes pensamentos significam de fato?
A grande maioria dos brasileiros acreditam que as pessoas devem ter o mínimo para sobreviver, sem luxo, apenas o necessário. Quem ousa ter mais do que isso é criticado, repudiado, odiado, etc. Essa idéia não é nova, existe há muitos séculos, desde a época em que a manga (fruta) com leite causava morte instantânea. A idéia de que riqueza é algo errado se deve a dois fatores, os nossos patricios portugueses e ao senhor Inácio Loyola.
Devemos agradecer este pensamento limitado dos brasileiros aos nossos colonizadores portugueses que incultiram, e muito bem por sinal, a idéia de que todos deveriam desprender-se do ouro e do pau brasil para que pudessem ganhar os reinos dos céus, colaborando assim para que os portugueses enriquecessem um pouco mais. E ainda hoje muitos levam isso como filosofia de vida. E o outro que merece os nossos agradecimentos é o tal de ‘Santo’ Inácio de Loyola ou Loiola que foi o fundador da Companhia de Jesus (jesuítas), uma ordem religiosa católica romana que doava todo seu dinheiro e bens materiais para viver com um trapinho de pano sobre o corpo e um pedaço de pão velho nas mãos.
Daí nossos brasileiros de hoje que dizem “a riqueza é um pecado, os ricos deveriam ter vergonha e doar seu dinheiro para os pobres”, “onde já se viu dirigir uma Lamborghini enquanto tanta criança passa fome”.
O que os brasileiros deveriam compreender é que a pobreza não é culpa do Fulando de Tal que trabalhou mais de 18 horas por dia durante anos para enriquecer, e tão pouco é culpa das socialites que ‘deveriam sentir-se culpadas por comprar um Dolce & Gabbana enquanto há centenas de criancinhas famintas’. Pobres e ricos sempre existiram no mundo, e as criancinhas famintas são responsabilidade dos mesmos pobres que já nem tem o que comer mas que não param de fazer filhos. Essas pessoas deveriam ter o mínimo de conciência e usar os preservativos, as pílulas anticoncepcional e a pílula do dia seguinte que o governo brasileiro distribui de graça, ao invés de ficarem parindo uma criança por ano para depois ficarem chorando com os 5 filhos nos braços, invadindo terra, super povoando as ceches e praguejando sobre os ricos.
O único país das américas que realmente saiu da condição de colônia foi os Estados Unidos, pois lá as pessoas são parabenizadas quando enriquecem, os governadores em parceria com os prefeitos fazem de tudo para que existam cidades milionárias como Orlando e New York. Lá nos Estados Unidos não é crime nem pecado ser rico.
Eu torço para que a minha cidade de Santos torne-se uma mini Dubai e que possamos gerar muitos empregos com altos salários, que tenhamos turismo de luxo, que muitos empresários façam aqui as sedes de suas empresas, que a Petrobras traga muito progresso para a nossa região, e que dezenas de arranha céus luxuosos venham a enfeitar a nossa cidade.
Mas por hora eu irei continuar convivendo com a maioria que repudia a riqueza.
Qual o resultado disso? Apesar de estarmos desde o ano 1500 como um país independente, ainda somos povoados por pessoas com mentalidade de colonos.

Oi Kathe.
Temos pensamentos parecidos quanto a isso. Realmente, ser rico é sinônimo de falta de caráter no Brasil. Penso que a culpa é a que você aponta no texto. Malditos portugueses. Penso que se tivéssemos sido colonizados pelos espanhóis (maldito Tratado de Tordesilhas), ingleses ou até franceses, seríamos muito mais desenvolvidos e provavelmente, um país de primeiro mundo.
Em relação ao pobre ter muitos filhos, estou totalmente de acordo. Hoje, o pessoal quer ter filho pra ganhar o Bolsa Família. Acho que isso é uma das maiores burradas que o governo fez. Não tem que dar dinheiro pra ninguém. Brasileiro é vagabundo em sua essência, acha que o governo é obrigado a dar dinheiro. Vão arrumar um belo trabalho, e ter a quantidade de filhos que seu salário comporta.
Em relação ao que acontece na cidade de Santos, concordo em partes. Eu quero demais que nossa cidade prospere. Não acho errado ter apartamentos de 4 ou 5 milhões. Eu só tenho medo de duas coisas:
1) Infra-estrutura: Santos não está preparada para comportar esse boom imobiliário. Vimos isso em cada temporada. A cidade fica infestada de turistas, sair de carro é missão impossível já que não há espaço físico para estacionar toda a frota. Precisamos lembrar que moramos numa ilha, e não há mais como expandir. Outra coisa que me preocupa é o sistema de esgoto e abastecimento de água. Comporta toda essa população?? E as fundações dos prédios nesse solo argiloso que temos em Santos? Com essa queda dos edifícios cariocas não tem como não se assustar vendo os prédios da nossa orla.
2) Custo de vida: Sempre sofremos por morar numa cidade turística. No verão, os preços disparam e somos obrigados a pagar. Um paulistano em média ganha mais do que um santista, exercendo a mesma profissão. Então fica complicado morar por aqui, já que nunca teremos dinheiro suficiente para sobreviver. A moradia, por exemplo, é impossível qualquer família com uma renda mensal de menos de 4 mil reais comprar ou alugar um imóvel razoável. Nossos jovens estão saindo daqui, porque está impossível começar uma vida em Santos.
Enfim, acho que o progresso é bom, mas que seja pra todos. Os comerciantes e empresários precisam repassar o lucro que estão tendo para seus colaboradores, para que todos possam crescer em igualdade. Não só apenas eles.
Beijos.